sexta-feira, 25 de julho de 2008

À minha turma B do 10ºAno (em 2007/2008)


Acabo de concluir que a norma estabelecida pelo ministério, segundo o qual um professor deve ficar pelo mesnos três anos na mesma escola para poder dar continuidade às suas turmas, é (ou pode tornar-se) num logro!
Durante o ano lectivo de 2007/2008 leccionei quatro turmas de 10º Ano de Filosofia, desbravei terreno inexplorado, ensinei-lhes o método capaz de analisar, sintetizar, comentar, compreender e muito mais, método esse que permite penetrar no território da filosofia e torná-lo familiar e útil. Cheguei ao final do ano lectivo com a noção de que um longo caminho acabara de ser percorrido e vi, mesmo nos alunos menos preparados, à partida, as condições propícias para continuar a caminhada no próximo ano lectivo...comigo! Ontem, bruscamente, fui surpreendida com a notícia de que, por necessidade de juntar duas turmas devido ao número exíguo de cada uma delas ( a saber: 11º B - 12 alunos;11ºC - 14 alunos)iria ficar sem os meus alunos da turma B devido a um «critério», mais parecido com um truque do que com um verdadeiro critério, segundo o qual quem fica com a turma, feita por adição de turmas, é aquele professor que...teve mais alunos no ano anterior! Perdi, pois, por 2, e eu gostava de saber como se procederia se acaso em vez de a proporção ser 12-14, fosse 13-13!!!Provavelmente, atiraríamos a moeda ao ar!
Assim se joga, com critérios desprovidos de rigor, o destino dos alunos! Sei bem que, tal como eu, a professora da turma C quererá dar continuidade à sua turma...então porque não se adicionam alunos, existentes a mais nas outras turmas e se fazem duas turmas de 15 ( já que é o numero mínimo para fazer uma turmma)? Porque não ficam assim mesmo as turmas e se permite trabalhar com poucos alunos, estabelecendo a almejada continuidade? Confesso a minha decepção, já que a turma B foi daqueles casos de progressiva maturação e, mesmo no final, percebi que os alunos estavam prontos para a Filosofia...será justo para eles verem mudadas as regras do jogo que os fiz jogar durante este ano lectivo e aprenderem a jogar outro - porque cada professor imprime um estilo diferente às suas aulas e eles terão que adaptar-se?

De qualquer modo, e caso não seja possível inverter a «equação« de 14+12=26 (vence a professora dos 14) para 12+14=26 (vence a professora dos 12)e os 26 fiquem entregues à sócia maioritária (desculpem, mas é assim que me soa!), quero, aqui e agora, dizer aos meus alunos do 10ºAno, Turma B, do ano de 2007/2008, o quanto lamento não poder continuar com eles a caminhada!

OBRIGADA JOANA!


Mesmo que apenas um(a) aluno(a) reconheça em mim, enquanto professora, as qualidades e características que a Joana não hesita em enunciar para quem queira ler, isso é estímulo suficiente para encarar o ensino como uma tarefa grandiosa.
A relação que estabeleci com ela foi em tudo igual à que estabeleço com todos os outros: a diferença é que ela viu algo mais que os outros não conseguiram ou não quiseram ver, ou, se acaso perceberam que há em mim algo de especial, enquanto professora - e logo comunicadora - não chegaram a admiti-lo.
Porque a Joana soube ver e teve coragem de se aproximar de mim, a amizade nasceu, porque a amizade é o verdadeiro fundamento e por isso o alicerce das relações humanas, e ser professor é exactamente isso: estabelecer relações!
A guerra aluno/professor é antiga e, muitas vezes, trava-se também ao contrário (leia-se: professor/aluno). O meu objectivo é, e foi sempre, transformar a luta em entendimento, em cooperação, em caminho partilhado. Curiosamente, foi a turma da Joana aquela que, no ano lectivo de 2007/2008, menos contribuiu para esta troca afectuosa e útil entre pares (porque, afinal, sejamos professores ou alunos pertencemos todos à espécie humana!) Eles sabem que, através de um grupo restrito, mas nem por isso passível de ser ignorado, transformaram a maior parte das aulas numa tragédia, quando não numa comédia, ou num palco de ofensas bilaterais! Talvez não tenham entendido que, sempre que os repreendi ou tratei com aspereza, estava, no fundo, a dar-lhes sinal para mudarem de conduta e aprenderem a SER!
No próximo ano, voltaremos a encontrar-nos: e eu só posso desejar que este tempo de férias seja a oportunidade de crescimento que nos permitirá ( a mim e a todos eles) estabelecer a verdadeira relação de seres humanos, que ali nos encontramos duas vezes por semana para tratar de filosofia - afinal a disciplina do pensamento, a oportunidade de formar sólidas convicções e argumentos para usar ao londo da vida.
Entretanto, agradeço à Joana: ela soube chegar até mim e eu cheguei até ela e, do mesmo modo que um professor marca um aluno, também um aluno pode marcar um profesor e dar-lhe alento para prosseguir!

OBRIGADA JOANA!